8 de fevereiro de 2008

Filmes intelectualóides

Quando a grande maioria das pessoas diz que vai ao cinema significa que vai engolir qualquer trampa Hollywoodesca numa dessas grandes superfícies comerciais. Eu odeio trampa Hollywoodesca, com os seus valores enlatados e tetos de silicone em gajas que têm o talento de uma mula. Mas um dia descobri o cinema intelectualóide, e cheguei à conclusão que há uma razão porque Hollywood tem tanto sucesso:
PORQUE HÁ MERDAS PIORES!

Pois é, talvez fosse uma hipoglicémia galopante ou insanidade temporária, mas o que é certo é que faz uns meses decidi começar a assistir a cinema independente. Descobri uma sala onde passavam filmes que as salas das grandes superfícies comerciais rejeitavam, e convencido que estava a tornar-me uma pessoa mais culta, lá fui eu um pouco menos mal disposto que o normal. Durou pouco.

Na minha primeira investida no mundo do celulóide chunga escolhi um filme turco, de seu nome "Climas".
Nem 15 minutos tinham passado e já eu rebuscava os meus bolsos à procura de uma lâmina para cortar os pulsos e terminar com a minha miséria. "Climas" faz jus ao seu nome e consegue realmente criar um clima:

TÉDIO!

Tédio de densidade tal que naquela sala até uma barra de chumbo flutuaria. Se os planos de 5 minutos da perna de uma cama enquanto duas das personagens pinam (se bem que fiquei na dúvida se estavam a encoitar-se ou a discutir a conjuntura da península da Anatólia, tal era a falta de paixão com que se entregavam à tarefa) ou a natureza patética dos protagonistas não chegam para entediar um fã hardcore de cinema alternativo, então a total inexistência de progressão do argumento durante aqueles 101 minutos de tortura, concerteza o farão.
Falta de progressão do argumento? Sim, ouviram bem. Se conseguirem aguentar durante o filme todo sem adormecer ou acabar com a própria vida, então serão presenteados com um final que deixa tudo exactamente como estava no início. Que belo desperdício de 100 minutos da minha vida.

Após este primeiro ensaio, recusei-me a acreditar que o cinema alternativo era todo assim. Pensei que fosse azar de principiante, mas de qualquer forma decidi matar a pessoa que me tinha aconselhado tal monte de trampa cinematográfico. Assim que enterrei o cadáver decidi tomar o assunto nas minhas próprias mãos. Consultei um site de crítica de cinema e escolhi um filme underground com boas críticas.

Big fucking mistake.

Cometi o erro (reparem no uso do paradoxo) de escolher uma adaptação francesa de "Lady Chatterley's lover" de D.H. Lawrence. Sim, fui ver o nome do autor à wikipédia - saber estas coisas de cor é roto.
Este filme bateu o anterior aos pontos no que toca a coisas ridículas. Comecemos pelo factor tédio, com o qual "Climas" tinha atingido um patamar que eu ignorava ser possível alguma vez outro filme ultrapassar. Enganei-me (lá está, o paradoxo outra vez. Eu sou mesmo bom nisto das figuras de estilo) redondamente. "Lady Chatterley" consegue entediar o funcionário da CP que anuncia as estações nas quais pára o suburbano, e não demora mais de cinco minutos a fazê-lo. Para isso utiliza as seguintes armas:

1.- Cenas inúteis: Sempre sonharam ver um filme onde o processo de tirar as espinhas a um peixe tem cerca de 5 minutos de tempo de ecrã, sem qualquer diálogo que o suporte? Pois então não esperem mais, Lady Chatterley é o filme ideal para vocês. Caso essa perda de tempo não chegue para realizar o vossa fantasia inútil, então talvez os 10 minutos de caminhada que Lady Estúpida faz de cada vez que vai pinar com o caseiro vos satisfaçam. Devo dizer que não tenho nada contra cenas paradonas ou sem diálogos, DESDE QUE TRAGAM QUALQUER COISA À HISTÓRIA!

2.- Diálogos praticamente inexistentes: A personagem de Lady Deficiente não é grande faladora. O mesmo se pode dizer do seu parceiro sexual, que durante o filme todo é gajo para dizer 5 frases. O único que ainda diz umas coisitas é o aleijado do marido, mas também pudera, com um par de cornos daquele tamanho não podia ficar calado.

3.- Este filme dura 168 minutos: Não, não pus um dígito a mais na duração do filme. Esta trampa arrasta-se por quase três horas, e no fim nem sequer pede desculpa por três horas da nossa vida perdidas para sempre. Alguém explique ao senhor realizador desta barda, que um romance de época não é a porra do Senhor dos Anéis.

O mais incrível deste filme é que no meio deste mar de tédio somos confrontados com ilhéus de puro choque. E digo isto no sentido negativo. Apenas vos vou descrever uma cena, porque isto já está a ficar comprido demais:

Imaginem Lady Chatterley a pinar com o caseiro contra uma árvore. Ambos têm a agilidade de um camião TIR com problemas de óleo e o savoir faire de uma criança de seis meses, o que elimina todo o erotismo que a cena poderia ter. Os dois terminam o serviço, caem para o lado e adormecem. Aqui entra mais uma vez o factor cena inútil, e em vez de sermos salvos pelo clássico fade-out e mudança de cena, temos de gramar com dois idiotas a roncar no meio da erva durante 5 minutos.
Quando finalmente Lady Porca se levanta do seu torpor, apercebe-se que - e preparem-se porque é inacreditável que isto faça parte de um filme - tem a cóina cheia de gosma do caseiro, saca de um paninho, alça a perna e procede à limpeza da franga. Se houvesse algum gajo naquela sala que tivesse ficado com o mastro hasteado à conta da cena de sexo, então de certeza que naquele momento ficou mais flácido que as bochechas do Mário Soares. Não fosse esta cena já perto do final do filme e eu aposto que ainda poderíamos assistir a Lady Nojenta a arriar o calhau para a câmara.

Terminado este suplício rendi-me às evidências e comprei um bilhete para o Homem Aranha 3, que apesar de ser um belo monte de trampa Hollywoodesca, ao menos não tem uma cena em que a Mary Jane limpa a cóina da gosma do aranhiço.

Se estás a ler isto e achas que os filmes que mencionei são grandes obras de arte, espero que nunca te reproduzas.


Para quem tem curiosidade mórbida aqui estão os links da Internet Movie Database para os dois filmes que acabei de odiar:
Climas | Lady Chatterley

11 comentários:

Anónimo disse...

Como sempre, excelente.

Continua!

KrIaXPaTaLa disse...

Vê o "shoot'em up" em repeat e deixa-te de merdas.

Cmps.

Anónimo disse...

Um bom exemplo de serviço público, este post, que peca apenas por não referir que em Portugal temos um excesso deste tipo de cinema (que todos sustentamos e [quase] ninguém vê).
Estes filmes só servem para os "críticos" de cinema - regra geral acham-se todos uns grandes intelectuais, mas na verdade são uns nabos - encherem as suas colunas de jornal com filosofias de pacotilha e para as outras pessoas apenas servem para perder tempo ou curar insónias.
Bom trabalho Mete-Nojo (peço desculpa, não era preciso dizê-lo, porque você não tem dúvidas quanto a isso). Não se mate, porque este bolg faz falta.

Anónimo disse...

filmes com muita pouca qualidade é o que tu andas a ver. e desde quando é que o argumento é tudo? não é já a nossa vida um argumento de merda? quando vou ver um filme independente não espero um argumento mas sim o momento, aquele ponto que marca diferença. mas em parte o cinema portugues é muito mau, no qual, o que tenta ser independente é uma imitação francesa muito ruim e o comercial é uma imitação burlesca de bowlywood

Anónimo disse...

desculpem!!
alguem aqui ja viu o CALL GIRL ?
é que depois do CRIME DO PADRE AMARO, ganhei uma beca de medo de ir ver filmes tugas..

Anónimo disse...

Este gajo ganhou medo depois de ver um filme onde a Soraia Chaves aparece quase nua e tá com medo de ir ver outro onde ela aparece ainda mais nua... És pouco gay és, "amigo".

deKruella disse...

aconselho-te a fazeres paraquedismo!!

Pelo menos sabes que cais...na terra!

Anónimo disse...

por acaso não sou gay , sou paneleira, porque sou uma gaja. e se quiser ver femea nua compro um espelho.

Gregorz disse...

Lol... quando postarem como anónimos ao menos dêem-se ao trabalho de pôr um "a" no fim. Se forem mulheres, claro.

Anónimo disse...

eu sou paneleiro :D e é optimo :D ai ai pilinhas :D

Anónimo disse...

ahhhhaahhhhh